A minha casa

Xullo 19, 1989 | Filed Under Life Itself, Literatura, Poesia, Sen categorizar | 1 Comment 

Casa 

Eu tenho uma casa. Se digo que é a melhor do mundo, parecerá que peco de soberba, já que induvidavelmente é uma boa casa: tem jardim, é luminosa, com espaço, e o entorno não podia ser melhor. Mas eu não gosto dela por isso. Eu gosto dela porque é a minha casa.

  Não é uma pessoa, nem um animal. Não tem mais vida que a que poida abrigar dentro dela. Durante 17 anos, tivo toda a que eu lhe puidem dar ao longo da minha infância e parte da minha adolescência. Porém, não deveu ser suficiente, já que nos dous anos seguintes perdeu toda a vitalidade que eu lhe dei no seu momento. De todos jeitos, seguia a ser a minha casa. Aos meus olhos, só estava aguardando a eu voltar, para volver recuperar a energia de outrora.

 Agora, não sei como dizer-lhe que seguramente não vaia voltar. Que, ainda sendo eu a sua dona, e a que mais unida estou a ela, não tenho ningúm direito a decidir sobre o nosso futuro. Que devemos despedirnos até sempre, e agadecer-nos os serviços prestados.

 ”Com toda segurança”- explicarei-lhe- “quem vinher, cuidara-te tão bem coma eu fizem”. Não me contestará, porque as casas não falam nunca, nem lembrará as minhas palavras, porque tampouco tenhem memória. Pero como eu sim tenho, lembrarei todo o vivido nela, e tardarei muito mais em esquece-la.

Cho, 02-09-08